Às vezes não entendo os seres humanos…
Pra que vocês não fiquem totalmente perdidos, vou fazer uma breve introdução à historinha. Na semana passada minha agência me ligou com um emprego. Esse seria temporário como os outros, mas com grandes chances de virar definitivo.
Bom, segunda foi meu primeiro dia. Empresa legal, nova. Filial de uma imobiliária que tem “branches” no país todo. Essa filial abriu há duas semanas. O lugar é super ‘muderno’.
Logo de manhã cedo o presidente da empresa me chamou pra conversar. Perguntou há quanto tempo eu trabalho para a agência, meu “background”, essas coisas. Falei pra ele que era Psicóloga, no Brasil (porque aqui eu não sou nada). Ele mandou “ah, eu também fiz Psicologia na graduação, mas não continuei porque tinha que dar um rumo na minha vida.” Hãn? Como se Psicologia não fosse rumo nenhum. Whatever. Entrou por um ouvido e saiu por outro. Estou ficando craque nisso quando converso com gente idiota. Anyways… Continuando, ele começou a descrever o meu “cargo” – que pra mim não precisava de nenhuma explicação. Agora, podem rir: “Diretora de Primeiras Impressões”. Puta merda. Como assim? Na hora não sabia se ria ou se pedia pra ele repetir. O nome é recepcionista e ponto, nada mais. Esse povo tem mania de inventar, de classificar, de dar nome a tudo. Adoram complicar, é impressionante! Aqui, zelador é “Custodial Engineer”, quem limpa privadas é “Latrine Specialist”. Não dá. Tudo tem que ter um título. Mas voltando à conversa com o “presidente” da empresa, ele manda a famosa “aqui você tem oportunidade de crescer.” Odeio isso. Pra quê? Crescer pra onde? Eu entrei pra ser recepcionista, e esse não é meu sonho de carreira. Não sonho em ser “Presidente de Primeiras Impressões”, já pensou?
Mas engoli aquela abobrinha toda e fiz meu trabalho direito. Liguei pro Mor e disse que achei tudo aquilo muito estranho, meio conversa pra boi dormir. Mas, precisava trabalhar.
Ontem, meu segundo dia, uma das meninas da agência aparece do nada no meu trabalho e pede pra eu dar um pulinho lá pra conversar com a coordenadora. Ela disse pra não me preocupar, mas é claro que eu achei que tivesse feito merda.
Chegando lá ela me pergunta se a gerente (ou sei lá que nome criativo ela tem) tinha conversado comigo. Claro que não! Covardes! Ela então me contou que ontem seria o meu úlitmo dia, porque eles haviam contratado alguém fixo. Falou um historinha lá que eu não acreditei muito não. Irmã de não sei quem… Mais história pra boi dormir. Mas na mesma hora me informou que já tinha outra coisa pra mim. Pelo menos isso. Ainda paga mais.
Agora, peraí! Eu trabalho pra uma agência temporária. Já espero mesmo só trabalhar um, dois dias, uma semana, sei lá. A impressão que me deu foi que estavam com medo de eu fazer merda só porque não ficaria muito tempo. Isso já tinha acontecido com eles, a agente me contou. Aparentemente várias pessoas já foram recepcionistas no período de duas semanas. Mas o que eu acho mesmo é que eles não querem pagar a taxa da agência. Depois eu juntei vários pontinhos e vi que desde o primeiro dia eles sabiam que eu so ficaria dois dias mesmo. Nada profissional.
Quando estava indo embora o “presidente”, que não tinha me informado que seria meu último dia, me agradeceu por TUDO (?) e que queria que eu entendesse que eu tinha sido ótima, não era nada contra mim, mas é que a pessoa que surgiu tinha “real state license”, que interessava pra eles. Mais uma vez, conversa pra uma boiada inteira dormir. Recepcionista não precisa de licensa nenhuma. Mas eu devo ter cara de idiota.
Desculpem pelo desabafo. Eu sei que disse que não faria outro post longo…